Némanus e as melhores bandas da região são apostas nas Festas de Penalva do Castelo

Penalva do Castelo vai estar em festa de 25 a 28 de agosto. As tradicionais Festas do Concelho vão decorrer na Av. Castendo e tem os Némanus como cabeças de cartaz, a que se juntam as melhores bandas de música de baile da região de Viseu. Para além das festas, o programa contempla a habitual mostra de artesanato e produtos locais, bem como a VII Feira do Vinho do Dão de Penalva do Castelo, com produtores do concelho.

O presidente da Câmara de Penalva do Castelo, em entrevista à Gazeta Rural, disse que houve alguma contenção orçamental para a realização das festas deste ano, uma vez que a pandemia ainda não está totalmente debelada. O concelho registou alguns casos de covid nas últimas semanas. Ainda assim, Francisco Carvalho espera muita gente, à semelhança do que se tem verificado nas festas populares que se têm realizado nas freguesias do concelho. O autarca diz que a escolha do cartaz obedeceu a esse critério, nomeadamente com os Némanus, que foram o grupo que mais pessoas atraiu às festas em anos anteriores. Juntam-se, no cartaz, algumas das melhores bandas de música de baile da região.

Gazeta Rural (GR): Com a pandemia a amainar, as festas têm sido muito participadas. Que expectativas tem?

Francisco Carvalho (FC): Em Penalva não vai ser diferentes de outros concelhos da região. As pessoas, de uma forma geral, estão ávidas de poderem estar com os amigos e de festejar. Foram dois anos de pandemia, que obrigou as pessoas a terem algumas cautelas e protegerem-se. Nas Festas de Penalva, estou convencido que, à semelhança do que tem acontecido nas festas das aldeias do concelho, vamos ter muita gente.

GR: Tem um cartaz de espetáculos diferente, mais virado para grupos da região?

FC: É sempre difícil fazer um programa apelativo e, por isso, chamei a mim a responsabilidade das escolhas. Vou conhecendo as pessoas do meu concelho, falo com elas ao longo do ano, mas fiz uma aposta clara em trazer a Penalva as melhores bandas de música de baile da região. Republika, AS Band e HIFI foram as minhas escolhas, assim como os Kapital (Sever do Vouga), que, não sendo uma banda do distrito, tem músicos de Viseu.

A juntara isto, escolhemos um grupo que, nos últimos anos, mais gente atraiu ao recinto das nossas festas, que são os Némanus. Desde que temos a responsabilidade de organizar as festas, foi o grupo que mais gente atraiu a Penalva.

Também fazemos estas festas com alguma contenção orçamental, até porque estamos numa fase em que o covid ainda anda por aí. Essa foi a orientação para as escolhas que fizemos. Para além disso não haverá fogo de artificio, pois não há condições para tal. Queremos que as pessoas se divirtam, mas, neste aspeto, temos de ter todos os cuidados com o período de seca que atravessamos.

GR: Como está a questão da água?

FC: O que posso dizer é que temos os rios com bastante água. O trabalho que temos vindo a fazer de recuperação dos açudes deu resultado. Acontece que a nossa Estação de Tratamento de Águas (ETA) só está preparada para tratar a água do rio Dão. Na zona de captação de água no rio Coja, que está cheia, não temos lá uma ETA, uma situação que deveremos resolver no futuro. Quando isso acontecer estaremos mais tranquilos.

Todavia, com a situação atual a manter-se, poderemos que ter de fazer o transporte de água do rio Coja para a ETA do rio Dão, o que nos trará alguns transtornos e custos adicionais, tendo em conta, por exemplo, os preços dos combustíveis.

A barragem de Fagilde ainda dá algum conforto aos presidentes de câmara dos concelhos por ela abastecidos, pelo que água para uso doméstico estamos descansados, o mesmo não podemos dizer para os agricultores, que estão a passar por situações bastante difíceis.

GR: A possível adesão à rede das Águas do Douro e Paiva pode ser a solução?

FC: Já estivemos reunidos com os responsáveis das Águas do Douro e Paiva, aqui em Penalva, que nos explicaram o que estão disponíveis para fazer no nosso concelho. O que ouvimos nesta reunião nunca foi avançado em encontros com os outros presidentes dos concelhos abastecidos pela barragem de Fagilde.

É uma situação que pode vir a resolver o nosso problema, com o abastecimento de água em alta, vindo da barragem de Lever, através da conduta que irá servir os concelhos de São Pedro do Sul, Oliveira de Frades e Vouzela. É uma situação que vai merecer a nossa atenção.

Contudo, o que me foi dito pelos responsáveis das Águas do Douro e Paiva é que estão disponíveis para ceder água aos cinco concelhos abastecidos pela barragem, de Fagilde, através dessa conduta, mas o que pretendem é explorar o sistema de Fagilde. Esse é o grande objetivo. Para isso precisam do acordo de Penalva do Castelo, Mangualde e Nelas. O Sátão não faz parte dessa sociedade, mas também irá beneficiar do novo sistema, se ele avançar.

GR: Que benefícios essa solução pode trazer?

FC: É uma solução que a curto prazo agrada a Penalva do Castelo. Aliás, foi sempre a nossa preocupação. Por isso não aceitamos na proposta de há uns anos, a oitio, que incluía os cinco municípios abastecidos pela barragem de Fagilde, mais Vouzela, São Pedro do Sul e Vila Nova de Paiva, na altura do falecido Dr. Almeida Henriques, para o fornecimento de água em alta, em baixa e o saneamento. Não aceitamos o acordo porque Penalva do Castelo sairia prejudicado e fomos os primeiros a sair. Teríamos de aumentar as tarifas e íamos transferir o imobilizado, ao nível das canalizações, sem qualquer avaliação. Esta proposta prejudicava os concelhos mais pequenos, como o nosso, e esse foi o principal motivo por que saímos.

Agora o que estamos a contratar é o abastecimento em alta, com a distribuição em baixa e as tarifas a serem de nossa responsabilidade.