Sernancelhe celebra este fim de semana os 30 anos da Festa da Castanha

Sernancelhe celebra este ano os 30 anos da Festa da Castanha, que acontece de 28 a 30 de outubro. Mantendo o formato tradicional, o evento primará por ser uma montra para produtores e empresas, impulsionando a economia, o artesanato, a cultura e as gentes de Sernancelhe, mas também projetando turisticamente o território como espaço de história, onde a identidade se cultiva e celebra.

Nos 30 anos de evento, aguarda-se a visita de milhares de pessoas e os passeios pedestres e BTT pelos soutos da castanha Martaínha atingirão novos recordes de participação. A TVI estará presente com o programa “Somos Portugal” no dia 30 de outubro. A abertura do certame contará com a presença de Luís Montenegro, presidente do Partido Social Democrata.

Em entrevista à Gazeta Rural, o vereador da Câmara Sernancelhe responsável pelo evento, diz que estes 30 anos resultam de “sucessivos avanços do que é hoje a marca ‘Sernancelhe – Terra da Castanha’, daquilo que as diversas edições deram de retorno ao município”. Armando Mateus salienta que desde a primeira edição, o certame “mantém o caráter de genuinidade, identidade e a particularidade de falarmos de um fruto bem aceite pelo público”.

Gazeta Rural (GR): A Festa da Castanha comemora 30 anos. Que balanço faz?

Armando Mateus (AM): São três décadas de sucessivos avanços do que é hoje a marca “Sernancelhe – Terra da Castanha”, que resulta daquilo que as diversas edições, ao longo do tempo, deram de retorno ao município. Este retorno tem hoje, cada vez mais e como face mais visível, os milhares de pessoas que nos visitam, que, acredito, aumentam de ano para ano, porque desde a primeira edição a Festa da Castanha mantem o caráter de genuinidade, identidade e a particularidade de estarmos a falar de um fruto que tem muito boa aceitação no público que nos visita, mas também porque nos transporta para a nossa infância, para o magusto que se fazia lá por casa nas festas de família, para uma época que é o outono, num tempo mais frio, que quer aconchego e uma castanha comida junto ao borralho, acompanhada de uma boa jeropiga, tudo à volta de uma gastronomia e costumes em que a castanha está presente e uma identidade que este evento sempre procurou preservar. Passados 30 anos o que verificamos é que há cada vez mais visitantes que procuram esta vivência e esta experiência.

GR: Nesse quadro, como perspetiva a edição deste ano?

AM: Pretendemos vincar e mostrar essa identidade, com todos aqueles que ajudaram a criar a Festa da Castanha. Vamos ter um evento na sua versão mais recente, uma festa da castanha com muita animação e gastronomia, provas desportivas, como BTT, caminhada, trail, passeio equestre, os concursos de melhor doce e melhor castanha, bem como a conjunção com as tendas gastronómicas, as tasquinhas, cultura e muita animação, com fado, cantigas à desgarrada e concertinas.

Para além disso, queremos, nestes 30 anos, tornar esta edição muito documentada, visualmente e muito gráfica. Toda exposição e toda a feira terá vários locais com videowalls e écrans gigantes para mostrar a evolução do certame ao longo destes 30 anos, quem foram as personalidades que inauguraram a festa da castanha, quem foram os elementos fundamentais, económicos, sociais e políticos, que ao longo de 30 anos fizeram com este certame se alavancasse e se tornasse numa referência para esta região. Os 30 anos vão ser marcados como um resumo, um ponto de situação e um mostrar de toda a evolução que a feira teve, com vários depoimentos, gráficos, reportagens, documentários, que irão estar patentes durante os três dias, juntamente com o cartaz que já é habitual da Festa da Castanha.

GR: A autarquia fez questão, nos vários eventos que levou a cabo este ano, de realçar e vincar os 30 anos da festa da castanha?

AM: Hoje é totalmente inseparável a Festa da Castanha e a marca “Sernancelhe – Terra da Castanha” de qualquer outro evento que o município possa realizar. Todos os eventos que promovemos ao longo do ano têm o benefício e o retorno de um público que já nos visita, ou começou a visitar-nos, na Festa da Castanha, onde as pessoas encontram já uma particularidade, uma forma de receber e acolher muito genuína. Diria que é já uma marca de qualidade, que quem vem a Sernancelhe já procura. Esta marca beneficiou todos os outros eventos, pelo que, entendemos, faria todo o sentido este ano todos os eventos que promovemos terem o selo, a marca, este cunho de qualidade, de genuinidade e de identidade que é a Festa da Castanha.

Fizemos um plano de marketing e promoção territorial assente neste evento, que percorreu o ano inteiro, que se iniciou nos primeiros meses de 2022, com a apresentação da Festa da Castanha na Bolsa de Turismo de Lisboa, e que culmina com esta festa, onde termina este ciclo.

GR: Olhando para a campanha deste ano. Há regiões com quebra de produção e incerteza na qualidade da castanha. Qual é a situação no concelho?

AM: Neste momento o que sabemos é que há uma produção mais tardia. Ainda que o castanheiro não seja uma cultura com grandes necessidades de água, a seca é de tal ordem acentuada que é natural que a cultura do castanheiro e a produção de castanha estejam afetadas. Para além da colheita mais tardia, também se suspeita de uma quantidade de castanha inferior. Quanto à qualidade do fruto, só quando começar a cair e em plena produção se poderá saber. Diria que a avaliação que temos, neste momento, é de uma colheita mais tardia, com uma quebra de produção, mas, esperamos nós, com a qualidade a que a Martaínha já nos habituou.