Tondela prepara candidatura das construções da pedra seca do Caramulo a património imaterial

A Câmara de Tondela vai candidatar as construções de pedra seca da Serra do Caramulo ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).

Dos muros que delimitam terrenos agrícolas, às construções de palheiros e espigueiros no espaço rural. Dos aglomerados habitacionais nos centros das aldeias, às levadas, passando pelos caleiros. Estas estruturas em pedra seca estão ainda muito presentes na paisagem, constituindo uma marca identitária do território, em particular na região caramulana.  

“Como forma de dominar a natureza, desde tempos imemoriais que o homem teve necessidade de retirar pedra da serra para ter terrenos de plantio. As pedras retiradas dos solos foram a matéria-prima para a organização social: casas de habitação, cortes para o gado, estradas, muros de delimitação de propriedades, eiras, pérgulas para as vinhas, canadas para domarem as águas”, explica a presidente da Câmara, Carla Antunes Borges.

“Sem outro recurso além da pedra, as comunidades ergueram os lugares, as aldeias e as vilas e muitas destas construções centenárias chegaram até aos nossos dias. Não basta colocar pedra sobre pedra. Há um saber fazer na forma como se escolhem as pedras e como se colocam umas sobre as outras”, evidencia a autarca.

As construções de pedra seca, muitas delas seculares, desempenham ainda hoje um papel determinante na prevenção de deslizamentos de terras, inundações e avalanches, e no combate à erosão e desertificação da terra, aumentando a biodiversidade e criando condições microclimáticas adequadas para a agricultura.

Os muros de pedra seca, por exemplo, que ainda se podem apreciar no alto da serra, constituem um autêntico corredor ecológico, que contribui para o desenvolvimento dos ecossistemas e da biodiversidade. A sua substituição por muros de betão ou sebes de arame põe em causa o equilíbrio ambiental.

“A preparação desta candidatura a património imaterial visa reforçar a importância das nossas comunidades, bem como o papel de Tondela como município apostado na defesa e valorização do seu património e na vanguarda das boas práticas ecológicas e da sustentabilidade ambiental”, acrescenta Carla Antunes Borges.

Este novo projeto do executivo municipal com vista à preservação e promoção do património cultural vai ser apresentado à comunidade este sábado (24 de fevereiro). A sessão está agendada para as 18h30 no CEISCaramulo -Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo.

Esta já não é a primeira candidatura apresentada pelo Município de Tondela ao INPCI. Já o ano passado a autarquia candidatou a Festa das Cruzes e o processo de fabrico do Barro Negro de Molelos a património imaterial, candidaturas que estão ainda em fase de análise.